quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Esqueço-me de tudo

Esqueço-me de tudo, da data e das horas, do que oiço e vejo, dos meus sonhos, dos dias e das noites, das estrelas e de becos desconhecidos na noite.
Esqueço-me dos sorrisos, e dos lamentos, esqueço-me da companhia e da eterna solidão,
esqueço-me de onde estou, de onde estive, ou virei a estar, do que vejo, vi ou virei a ver, do que oiço, ouvi ou virei a ouvir.
Esqueço-me de tudo pelo que lutei, pelo que fraquejei, do que ganhei ou perdi.
Do que falo, do que acredito ou acreditei.
Esqueço-me do que sou, do que ja fui e nem penso no que virei a ser.
Esqueço os meus pensamentos, do mais intimo ao mais infinito, do sol e da lua, das estrelas e galaxias, das vozes, do silencio e do barulho.
Esqueço-me do que fascina e o que aterroriza, esqueço-me do bom e do mau, do leve e do pesado, da luz e da escuridão.
Esqueço os meus medos, os meus segredos, das cores escuras ou claras, quentes ou frias.
Abstraio-me de tudo, das tristezas e das alegrias.
Esqueço-me de mim próprio, pois não sou eu.

Eu sou o que escrevo, sou letras e palavras, dentro de linhas e paragrafos, sou metáforas, e adjectivos, repetições, escalas numéricas, sou a expressão de cada palavra, sou verbos e pontos finais, com ou sem sentido.
Esqueço-me do passado, do presente e do futuro.
Esqueço-me de tudo.
Por isso escrevo.

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