sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Uma alma perdida....

Numa noite lenta e pesada, sinto-me a descer a rua, perseguido pelo olhar sufocante das estrelas. Naquela noite, as nunvens tinham resvalado o céu e as ruas jaziam submergidas sob uma lagoa de neblina ardente que fazia pingar os termómetros nas paredes.
Esta noite, estou só.
Nesta vida, fui muitas personagens, no entanto todas elas sós.
Com os meus olhos, vejo as ruas sozinhas, vejo uns poucos carros a seguir a sua monótona vida (ao menos não estão sozinhos) de regresso ou de saida de casa, ou talvez nunca tenham saido dela ou nunca mais la voltem, eu não volto a minha, eu não tenho casa, não estou perdido, mas não sei por onde estou, nem para onde vou.
Descendo a avenida, matutando o que é a vida e qual o seu papel, olho com desdém, para alguém tão sozinho e negro como eu.
Como prometi a mim mesmo, não voltaria mais a casa, não hoje, talvez outro dia, quem sabe se daqui a dez minutos não me dá a vontade e vou lá de novo.
Estou bem sozinho, não tenho anjos para me acompanharem, que eles estejam melhor que eu, que seja ao menos, felizes.
Não gosto da vida, não sei onde está toda aquela beleza que as pessoas dizem sentir, eu cá nunca a senti, nem tenho tal curiosidade.
Sou por natureza ou por defeito pouco feliz, ou simplesmente a vida fez-me assim.
Não tenho qualquer paixão as cores do belo, nem sei apreciar qualquer pintura artistica, porque simplesmente a arte são apenas sonhos, não esses sonhos pintados numa tela.
Eu tenho sonhos, sonhos sem cor, e sonhos bonitos, para algo ser bonito não precisa de cor, precisa apenas de um pouco de inspiração.
Nestas ruas paralelas sem sentido definido relembro, que, precisamente hoje, aos 2 minutos para a meia noite, abandonei o meu corpo, e agora estou finalmente livre.
Cansei-me de olhar as estrelas, e cansei-me de olhar um espelho, e não ver o que sou, mas o que nunca quis ser.
Assim ja posso olhar as estrelas sem cor, e ser livre.
Até os meus olhos parecerem uma braza de um cigarro a queimar-se lentamente, serei apenas uma alma. ainda que perdida.

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