quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Geometria descritiva

Sou como um quadrado, fechado, sem aberturas.
Nada entra nem sai, nada se manifesta, nem nada sobressai.
Não entra luz, como uma câmara escura, que simplesmente esta vazia e sem fundamento.
Os quadrados, são objectos, eu não sou mais do que um objecto manipulado pelas forças superiores que fazem a chuva e o mar bater e desgastar as rochas onde embatem.
Sinto que ao ser assim, morro mais facilmente, e mais depressa do que o ritmo natural da vida.
Sou assim, porque não tenho escolha, foi assim que nasci, sem pedir, e sem querer.
Mas assim quero morrer, só assim, não aqui, serei feliz.
Um quadrado, fechado, sem aberturas, um quadrado definido e sem geometria aparente, algo fácil e vulnerável de ser apagado da folha de papel ou da mente de qualquer um.
Geometricamente pensando, será que um quadrado por deixar entrar algo?
A resposta é simples, Não, porque se deixasse não seria um quadrado, e eu não existiria.
assim o preferia.

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